A Política e a Polícia

A Polícia Militar do Maranhão foi criada no período regencial, entre o primeiro e o segundo Império. Instituição pioneira, ela transpôs quase 200 anos de história sofrendo mudanças, evoluções e adaptações, passando por todos os modelos de policiamento, desde o político, o modelo profissional até a atuação como polícia comunitária, guardiã da cidadania.
A PM atravessou todas as turbulências da história do país, com golpes de estado, períodos de democratização, ditadura militar, Império, República, insurreições, duas guerras mundiais e sete diferentes Constituições. O segredo de sua longeva permanência é jamais ter sucumbido à lógica circunstancial da política. Instituição permanente, ela representa o valor da ordem e da paz social no estado de direito.
Por isso é mais que preocupante vermos em nosso Maranhão prosperar uma artificial e extemporânea polêmica que busca colocar a Polícia no espectro das divergências ideológicas, na cediça discussão que opõe agrupamentos políticos.
Tentar intrigar figuras públicas com a PM, levando o debate para o terreno das lealdades políticas, é uma indignidade com a história da PM e um desserviço à sua missão constitucional.
A PM só tem um lado: o da sociedade! Suas virtudes, seus erros, suas conquistas, são desafios de todos nós. Devemos ter olhos para ver as condições em que ela opera, o sacrifício no limite do desumano de seus membros, expostos à escalada da violência e ao esgarçamento do tecido social.
Devemos discutir as políticas de segurança, seus enormes desafios que impõem soluções institucionais ousadas e urgentes. Mas o limite para tal é estabelecer um jejum ideológico que preserve e valorize uma instituição que, no limite, simboliza a própria condição do exercício da democracia e dos direitos e garantias fundamentais da dignidade humana.
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