Após suposta fraude, MPF quer que ex-executivo da Camargo Corrêa volte a cumprir prisão domiciliar

Eduardo Hermelino Leite disse que iria prestar serviços comunitários em associação de cegos, mas nunca apareceu no local.

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou ao juiz Sérgio Moro que determine a volta imediata do ex-vice-presidente da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, à prisão domiciliar. Atualmente, ele cumpre regime semi-aberto diferenciado, como contrapartida pelas informações que prestou à Justiça no acordo de colaboração premiada que firmou com as autoridades nacionais.

O pedido do MPF tem como base uma reportagem do Fantástico, que mostra indícios de que Leite fraudou o serviço comunitário obrigatório, que estava previsto no acordo de delação. De acordo com a reportagem, se comprometeu a trabalhar na Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, conhecida como Laramara. No entanto, o advogado da entidade declarou à reportagem que não havia nenhum condenado trabalhando no local.

O acordo de delação previa que Leite cumprisse cinco horas semanais de trabalhos em uma instituição de assistência social. Ele também deveria usar tornozeleira eletrônica e, diferente de um regime semiaberto comum, ele teria que ir para casa todas as noites, em vez de ir para a cadeia, como costuma acontecer.

A reportagem mostrou que um funcionário da Laramara tinha uma ficha de presença em que constava o nome de Eduardo Hermelino Leite, com uma assinatura que também é parecida com a do ex-executivo no acordo de delação premiada. Porém, segundo o advogado da associação, esse funcionário não tinha autorização para liberar a prestação de serviços comunitários e foi demitido da entidade.

No pedido, os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato querem que Leite volte à prisão domiciliar e permaneça nessa condição até que todos os fatos relativos à suposta fraude sejam devidamente apurados.

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