Eleições 2018: Roberto Rocha volta a afirmar que pode disputar o governo contra Flávio Dino

O senador voltou a falar sobre candidatura ao governo do Maranhão em entrevista ao Jornal Pequeno deste domingo.

O senador Roberto Rocha (PSB) concedeu entrevista exclusiva ao Jorna Pequeno, edição deste domingo, 26, onde voltou a admitir, agora de uma forma mais assertiva, que poderá mesmo enfrentar Flávio Dino (PCdoB) na eleição de 2018 para o governo do estado.

“Se o Maranhão precisar de um governador para ir além de construir praças, e que entenda que o avanço social só é possível com crescimento econômico, eu não me furtarei a esse papel. Mas quem vai dizer é a conjuntura política”, afirmou.

O socialista tem dito que a conjuntura local e nacional será determinante para a sua decisão final sobre uma eventual disputa ao governo. Roberto Rocha tem afirmado também que gostaria que mais nomes se colocassem para a sucessão de Flávio Dino, pois com mais candidatos na corrida eleitoral o pleito será disputado em dois turno, o que aumentariam as chances de vitória de um candidato da oposição.

Roberto Rocha tem afirmado também que deseja concorrer pelo PSB, partido o qual está filiado, mas nos bastidores sabe-se que há uma possibilidade concreta do senador concorrer pelo PSDB, partido que já presidiu no estado e por ele exerceu três mandatos de deputado federal.

Confira a íntegra da entrevista com Roberto Rocha onde também é tratou sobre o enorme sucesso que foi o seminário Rio Maranhenses e suas Nascente, realizado na última sexta-feira, 24.

 “É um governo reativo, que não tem um projeto de desenvolvimento. Somente um projeto de poder. E o custo disso para o Maranhão tem sido enorme. Ele faz obras, aqui e ali, muitas delas meritórias, mas age como um provedor que distribui benesses e espera a retribuição do voto, em troca”

Senador, o sr. promoveu em São Luis um Seminário voltado para a revitalização das águas dos nossos rios. Quando surgiu essa preocupação e quais foram os resultados?

A preocupação é muito antiga. Posso dizer que o Seminário, na verdade, foi o coroamento de uma extensa programação que desenvolvo há vários anos, desde o período em que fui deputado. Agora, como senador, eu iniciei meu mandato com um projeto colaborativo para montar um relatório fotográfico sobre o estado dos rios maranhenses. A resposta foi impressionante, com centenas de fotos que recebemos que mostravam que a degradação ambiental não é mais um problema localizado, mas ameaça a nossa maior riqueza natural, que são nossas bacias hidrográficas. E o Seminário foi um sucesso e registro aqui o honroso apoio da FIEMA, Ministerio do Meio Ambiente e CEUMA. Ao Instituto Cidade Solidária (ICS), na pessoa do presidente Marcelo Caio, nossos agradecimentos.
Nós esperávamos 400 inscritos e tivemos mil. Teve gente que viajou centenas de quilômetros para participar. Isso mostra como a sociedade organizada está sedenta por discutir soluções.

E qual a principal ameaça que sofrem nossas bacias?

Há diferentes casos, mas o principal problema é o assoreamento dos rios, o uso desregulado das águas, o problema crônico do despejo de efluentes, principalmente esgoto e claro, o problema com nossas nascentes. É a consequência de dois fatores: o crescimento populacional e o despreparo institucional para enfrentar o problema.

Não são custos muito elevados para os entes públicos bancarem?

Sim, é claro que são, especialmente quanto à engenharia necessária para desviar e tratar os efluentes. Mas não é por isso que devemos ficar passivos, assistindo nossa maior riqueza ir se perdendo. E o primeiro passo, e de certa forma o mais decisivo, é colocar o problema na agenda pública e na consciência dos cidadãos. E o passo seguinte é encontrar formas institucionais de enfrentar o problema que é de todos, pois não dá pra ser solucionado apenas por esforços individuais.

E o que o seminário propôs nesse sentido?

Na verdade, bem antes do seminário, reunimos os gestores das cidades da calha do rio Itapecuru e propusemos a formação de um Consórcio intermunicipal para cuidar do assunto. Esse consórcio ganhou vida com a assinatura dos primeiros prefeitos, durante o seminário. Chamamos a esse projeto com o singelo nome de Nosso Itapecuru, e acreditamos que ele se torne piloto para inspirar outros municípios a fazer o mesmo no Mearim, no Pindaré, no Balsas, no Grajaú etc.
A partir do consórcio os municípios passam a ser uma pessoa jurídica de direito para atuar junto aos órgãos capazes de agir com obras e ações. Essas ações estão enfeixadas em um projeto maior que chamamos SOS Águas do Maranhão.
Paralelamente, embora não seja do escopo de minha atuação legislativa, tratei de dotar o Maranhão com alguns equipamentos para ações emergenciais, que nem isso nós temos. Esses equipamentos, que foram apresentados no seminário, foram adquiridos por emenda minha à Codevasf, apresentada logo no início do meu mandato no valor de 15 milhões de reais. Aqui, mais uma vez, agradeço o apoio do presidente da República Michel Temer.

E o que precisa mudar na legislação?

O Código das Águas é uma legislação bem avançada, com um conceito de descentralização moderno. Mas não foi concebido para atender as necessidades de um Estado como o nosso, onde o poder público domina todas as faces da dinâmica da economia. Sem que aconteça um fortalecimento real da iniciativa privada o Maranhão não conseguirá superar essa hibernação de sua economia.

E o Governo estadual tem feito a sua parte?

É um governo reativo, que não tem um projeto de desenvolvimento. Somente um projeto de poder. E o custo disso para o Maranhão tem sido enorme. Ele faz obras, aqui e ali, muitas delas meritórias, mas age como um provedor que distribui benesses e espera a retribuição do voto, em troca. É a lógica eleitoral dominando a lógica da boa política, que deveria articular as forças da sociedade para caminhar junto, para fazer um governo colaborativo, nas ideias e nas ações. Para criar um ambiente de entusiasmo para todo aquele que tem o ânimo para empreender. É disso que o Maranhão precisa.

E, falando de política, o sr. confirma que é candidato?

Se o Maranhão precisar de um governador para ir além de construir praças, e que entenda que o avanço social só é possível com crescimento econômico, eu não me furtarei a esse papel. Mas quem vai dizer é a conjuntura política.

Mesmo que seja no papel de vice-governador, como andaram especulando alguns blogs políticos?

Jamais! Certos blogs, ou certas vozes, têm dono e pensam que o que é bom para o dono é bom para nós, como diz a música do Chico Buarque.

Ainda esta semana o Governador vetou proposta da Assembleia Legislativa de dar o nome de seu pai à rodoviária de São Luis. O Sr. tomou isso como uma declaração de guerra?

Ao contrário, nessa mesma semana eu, sem ódio, e com muito amor no coração, destinei 6 milhões de reais para o Governo do Estado, através da UEMA.

E pra terminar, no plano nacional, dois assuntos polêmicos. O Sr é a favor ou contra o foro privilegiado?

Sou contra, da maneira como está, servindo de biombo para crimes. O Foro deve ser extinto, porém devemos manter alguma salvaguarda para que os agentes políticos, que tem adversários, não sejam alvo de perseguições a partir de qualquer instância judicial. Eu me alinho à proposta do ministro Barroso de criação de uma vara especializada, que não cuidará de crimes comuns, mas apenas de crimes cometidos no exercício do mandato político.Fiz uma emenda à proposta original para incluir essa salvaguarda constitucional.

E a reforma da Previdência? O sr. é a favor da CPI?

Tanto sou a favor que sou um dos signatários dela. Acho que devemos ter uma discussão ampla e objetiva sobre a real situação da previdência e seus impactos frente às mudanças demográficas da população. Também tenho grande preocupação com o fato do Maranhão ser um estado rural, com enorme vulnerabilidade social. Então a previdência precisa ter um olhar diferenciado para essas populações.

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