“Não está e nem esteve jamais em meus planos”, afirma Roberto Rocha sobre aliança com o grupo Sarney

O senador Roberto Rocha (PSB) concedeu uma boa em entrevista à revista Maranhão Hoje, edição de fevereiro, que ganhou grande repercussão na imprensa maranhense, em especial na blogosfera.

Aos entrevistadores Aquiles e Diego Emir (pai e filho), voltou a criticar o governo e o governador Flávio (PCdoB) pela falta de um projeto desenvolvimentista para o Maranhão.

Até o momento não houve um rompimento definitivo e oficial entre Roberto e Flávio, mas a cada dia o senador deixar claro que pretende mesmo se consolidar num campo político tanto de oposição ao grupo Sarney quanto ao grupo liderado pelo governador comunista.

Confira a entrevista na íntegra.

Via blog do Diego Emir

Maranhão Hoje – O senhor é autor do projeto de Zona de Exportação para São Luís em que estágio ele se encontra?

Roberto Rocha – O projeto encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, para ser brevemente discutido e votado.

Qual a importância desta zona para a cidade e o estado?

Ela muda toda a dinâmica da economia do Centro Norte do país, com forte impacto, é claro, na economia maranhense. Deixamos de ter uma economia de enclave, como hoje, para termos uma economia de exclave aduaneiro, que favorece e emula a criação de cadeias de produção. Ao invés de exportar minério de ferro, alumínio, alumina e soja, ou seja, produtos semielaborados e primários, vamos exportar produtos manufaturados. É um salto gigantesco.

Outro projeto seu muda o conceito de semiárido. Qual o objetivo dessa mudança?

O objetivo é abarcar um punhado de cidades, muitas no Maranhão, que apresentam todas as características e as inconveniências decorrentes do clima semi-árido mas não estão contempladas nos critérios atuais. São cidades que estão sendo punidas injustamente.

Na sua opinião, o que seria prioritário para o Maranhão garantir o desenvolvimento econômico?

Prioritário é justamente mudar a lógica da economia de enclave que nos condena a ser apenas hospedeiros da riqueza alheia.

O senhor acha que o atual governo tem sabido conduzir uma política de desenvolvimento para o Maranhão?

Qual é essa política? Ampliar o que já existe, sem quebrar a lógica perversa que mantém o Maranhão no atraso? É muito pouco para o nosso potencial.

Onde ele estaria acertando e errando?

Acerta eventualmente no varejo, mas erra no atacado. O principal erro, infelizmente, é o interdito ideológico que não permite ver que apenas com o desenvolvimento econômico podemos sustentar um verdadeiro desenvolvimento social. Nesse sentido, minha maior diferença é justamente de visão do papel do Estado. O governador anunciou um choque de capitalismo mas até o momento tem dado choque apenas nos capitalistas, aumentando impostos e taxando a produção. Critico o comunismo para não ver meu estado sofrer um choque anafilático.

Em relação à política, como o senhor avalia a condução do governo do Maranhão com a classe, sejam deputados, senadores e lideranças?

Que condução? Existe uma tentativa de tratar a classe política como clientela, não como parceira. Base aliada é uma coisa, base alugada é outra.

O senhor vem fazendo duras críticas ao governo Flávio Dino. É inegável perceber que exista um rompimento. Em 2018 podemos imaginar um confronto entre Flávio e Roberto na disputa pelo governo estadual?

Não depende de mim esse cenário. Depende muito mais do Governo e do governador. Mas se, por atos e movimentações ele acabar cevando uma nova via política para disputar o poder, não serei eu a fugir dessa raia.

Existe alguma possibilidade de o senhor se unir ao grupo Sarney em 2018?

Não está nem esteve jamais em meus planos.

Em sua opinião, o PCdoB atrapalha o desenvolvimento do Maranhão?

Acho que é o desenvolvimento do Maranhão que está atrapalhando o PCdoB. Pois o Estado teima em crescer, nossos empreendedores insistem em empreender e isso parece que inibe o PCdoB com sua retórica anti-desenvolvimento.

O senhor pretende seguir no PSB ou deve retornar para o PSDB? Em qual dos dois partidos, o senhor acredita que teria mais condições de vencer o governo estadual em 2018?

Eu sigo no PSB, mas a dinâmica política não me impediria de voltar ao PSDB, onde deixei amigos e para onde sou permanentemente convidado. Mas não está no meu horizonte próximo.

O senhor foi o responsável por garantir boa parte dos apoios partidários da candidatura de Flávio Dino em 2014. Porém parece que nunca reconheceram isso. Como o senhor reage a esse fato?

Eu não espero reconhecimento. Espero apenas honestidade intelectual. Mas estou acostumado aqui no Maranhão onde é fértil essa confusão entre aliança e subserviência. As alianças são relações horizontais, mas na nossa cultura política, autocrática, parece difícil admitir isso.

Roberto, tu acredita que Flávio Dino chegará isolado em 2018 com apoio de apenas partidos da esquerda?

É um risco real o PC do B perceber um dia o seu verdadeiro tamanho.

Em sua opinião, Márcio Jerry é o governador de fato do Maranhão?

É você quem está afirmando. Me custa crer que possamos ter um governador putativo.

Na disputa pelo governo do Maranhão em 2018, o que você apresentaria de diferente para a população maranhense?

Uma proposta clara de como eu penso e qual o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. E uma visão que não coloca o Maranhão como refém do legado do sarneysmo.

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