O que se sabe sobre o escândalo de Trump com a Rússia

Presidente teve interesses comerciais no país na década de 1990 e é acusado de manter contatos com inteligência russa durante campanha. Assessor de segurança se demitiu após mentir sobre conversa com embaixador.

 Uma nuvem de suspeitas sobre os vínculos com Moscou paira sobre o presidente Donald Trump desde que os Serviços de Inteligência americanos asseguraram que o governo russo interferiu na eleição presidencial de 2016 contra sua rival Hillary Clinton.

O assessor de Segurança Nacional de Trump foi obrigado a renunciar na segunda-feira por suas conversas particulares com o embaixador russo em Washington, e nesta quarta-feira (15) o “The New York Times” noticiou que assessores de Trump e pessoas de seu entorno também ligaram para funcionários do alto escalão da Inteligência russa durante a campanha eleitoral.

Muitas perguntas sobre estes episódios continuam sem resposta. A seguir o que se sabe sobre o assunto:

As relações de longa data de Trump com a Rússia

Em sua condição de empresário imobiliário, Trump sempre se propôs a investir na Rússia, inicialmente analisando a possibilidade de construir um edifício de luxo próximo ao Kremlin em 1996. Visitas posteriores não fizeram o projeto seguir adiante, mas nos anos 1990 Trump elogiou os homens fortes deste país, incluindo o presidente Vladimir Putin.

Simultaneamente, vários russos, alguns relacionados a Putin, investiram em propriedades nos Estados Unidos sob a franquia Trump. Em 2013, Trump levou seu concurso Miss Universo a Moscou e trabalhou com outros empresários próximos ao presidente russo.

Durante a campanha presidencial, Donald Trump desmentiu os relatórios de que Moscou estaria por trás do ciberataque aos e-mails da equipe de Hillary. Ao contrário, elogiou Putin e prometeu melhores relações com ele.

Ciberataque russo

Órgãos de Inteligência americanos denunciaram no início de julho de 2016 que o governo russo estava envolvido no ciberataque dos e-mails internos do Partido Democrata que acabaram sendo comprometedores para a candidata Hillary Clinton.

Em outubro, essas mesmas agências acusaram Putin de comandar essas operações, e em 29 de dezembro, o então presidente Barack Obama anunciou medidas em represália, incluindo novas sanções e a expulsão de 35 supostos espiões russos que faziam parte da equipe diplomática em Washington.

Também foi divulgado um processo sobre as relações entre a equipe de campanha de Trump e a Rússia elaborado por um ex-agente britânico, que cita fontes russas que sustentam que o ataque tinha a intenção de ajudar Trump a ganhar as eleições. Os Serviços de Inteligência apenas confirmaram recentemente alguns detalhes do processo.

Ligações para o Kremlin

O “The New York Times” reportou nesta quarta-feira que órgãos de Segurança americanos interceptaram inúmeras ligações entre assessores de Trump e funcionários da Inteligência russa durante a campanha. O NYT identificou um desses assessores como Paul Manafort.

Manafort, diretor de campanha de Trump, foi um lobista e empresário que trabalhou durante anos como assessor do líder ucraniano pró-Rússia Viktor Ianukovich e para a atual posição pró-Rússia na Ucrânia. Manafort renunciou como diretor de campanha antes da eleição de 8 de novembro depois que as autoridades ucranianas disseram que os arquivos mostravam que o partido das autoridades anteriores pró-Rússia de Kiev haviam pago a ele US$ 12,7 milhões, o que Manafort nega.

O relatório Trump-Rússia denuncia que Manafort manteve uma “cooperação” com dirigentes russos durante a campanha através de Carter Page, um consultor externo na equipe de Trump. Page, que havia sido um banqueiro de investimentos com sede em Moscou, visitou a capital russa em julho e dezembro para assuntos particulares, segundo contou. O processo alega, entretanto, que se reuniu com funcionários de alto escalão e pessoas próximas a Putin para discutir as sanções e questões energéticas.

Michael Flynn

O ex-chefe de Inteligência militar foi um assessor de Trump em assuntos de Segurança. Após deixar o âmbito militar, Flynn apareceu na emissora Russia Today em dezembro de 2015 e foi pago para falar em uma cerimônia em Moscou, na qual sentou ao lado de Putin. A RT é vista pelos Serviços de Inteligência americanos como uma emissora que faz propaganda a favor do Kremlin.

Durante a campanha das presidenciais, Flynn pediu melhores relações com a Rússia e depois da vitória de Trump manteve conversas por telefone com o embaixador russo nos Estados Unidos, Serguei Kislyak.

Flynn negou inicialmente ter falado sobre as sanções e sobre Trump ter uma atitude mais amistosa com Moscou. Depois de receber garantias de Flynn, o vice-presidente eleito, Mike Pence, apareceu na televisão para defendê-lo, insistindo que não havia falado sobre as sanções com Kislyak.

Mas os organismos de Segurança americanos registraram as ligações e concluíram que as sanções haviam sido objeto de diálogo entre Flynn e o diplomata russo. Em 26 de janeiro, a procuradora-geral Sally Yates advertiu o máximo assessor legal de Trump sobre as inconsistências de Flynn e que as mesmas poderiam fazê-lo vulnerável a chantagens.

Trump não tomou nenhuma medida imediata, mas quando o “The Washington Post” e o NYT escreveram, na semana passada, que alguns trechos da conversa mostravam que haviam falado sobre as sanções e que havia mentido para Pence, o apoio a Flynn na Casa Branca acabou. Na segunda-feira, renunciou a seu cargo.

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *