Parentes de vítimas esperam notícias dos quase 300 desaparecidos

Passadas 80 horas desde o desastre, 279 pessoas ainda são consideradas desaparecidas.

A última vez que Bruno Oliveira viu o pai foi quando ele saiu para trabalhar, no dia da tragédia. Rodrigo de Oliveira é operador de máquinas. Desde então, a casa construída pelos dois está vazia. Bruno conta que o nome do pai está na lista de localizados, mas ele já foi aos hospitais, IML e nada.

“A esperança foi lá em cima, e a felicidade… Agora é decepção total, descaso total da empresa com as famílias. Não sei nem o que te dizer”, afirma o estudante Bruno Oliveira.

Está no olhar da Carmita. Ela acredita que vai encontrar o sobrinho Wanderson vivo. “Por ele ter saído na hora do almoço do setor de risco. É um filho. Meus sobrinhos são como se fossem filhos, todos, todos sem exceção. Esse era mais apegado, a gente convive muito, mora parede e meia com a minha casa”, diz a cuidadora de idosos Carmita Pereira.

O filho da professora Maralyz Fernandes tem casamento marcado para junho, 38 anos, geólogo. “Ele é um rapaz que faz academia, tem muita resistência. Eu espero que ele tenha essas reservas, que ele lute pela vida dele onde ele estiver. É o que eu espero, que eles resgatem ele com vida. Isso que eu quero. Meu filho é um menino sempre modelo. Modelo de estudante, modelo de funcionário, de empregado”, conta a professora Maralyz Fernandes.

Muitas famílias falam dos desaparecidos no presente e não no passado; ainda têm esperança. Mas no fundo sabem que todo esse trabalho de resgate e identificação ainda pode levar muito tempo. Em uma região onde existia uma grande plantação, vários corpos foram resgatados.

Deywid França viu tudo acontecer: a lama desceu quebrando árvores, arrancando tudo. Agora, ele acompanha os resgates. Toda hora tem helicóptero. Dois primos estão sumidos desde a tragédia. “Só um milagre de Deus. Muita coisa desceu, muita lama. E muito longe, muita distância”.

No meio de toda a lama, a espera é pelo resgate de turistas, funcionários e donos da pousada Nova Estância. No dia do acidente, duas pessoas conseguiram se salvar.

As mensagens de celular foram mandadas pela hóspede Maria de Lourdes, momentos antes do rompimento da barragem, para a amiga Beatriz, que mora em São José do Rio Pardo, em São Paulo.

“Falaram que estavam todos ótimos, que estava super gostoso, que estava uma delícia, que estavam aproveitando bastante. Depois disso, a gente perdeu o contato. Mandei algumas coisas para ela pelo Whatsapp, mas ela não abriu mais”, conta Beatriz Mathias Duarte.

Maria de Lourdes e quatro parentes estavam de férias e iriam conhecer o museu de Inhotim, em Brumadinho.

Bem perto, parentes de funcionários da pousada vivem a angústia da espera. A avó de Jeferson Custódio estava na cozinha. “Ela trabalhou a vida toda para dar o melhor para a gente e morrer daquele jeito. O que aconteceu…. Ninguém achou nada”.

Gelson Custódio da Silva mal consegue caminhar e tem que ser amparado pelo irmão. “Eu só quero ver a esposa e minha mãe de volta. Não tenho mais nada para falar”.

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *