Sobre o debate da Band e a expectativa em torno de Madeira…

Por Marco Aurélio D´eça.


Engana-se quem aposta na fragilidade do candidato José Carlos Madeira na campanha para a prefeitura de São Luís.

É certo que muitos – inclusive os próprios adversários – esperavam dele uma atuação brilhante no debate de quinta-feira à noite na Band/TV UFMA.

Isso não houve, de fato.

Mas é preciso lembrar que Madeira é cristão novo na seara dos debates eleitorais, e certamente estranhou pisar pela primeira vez o terreno dos holofotes na companhia de adversários experimentados no rinque político – entre eles, três deputados federais, três deputados estaduais e ex-secretários de estado.

Faltou a Madeira intimidade com as câmeras, é verdade. Faltou também uma melhor articulação de ideias, especialmente nos dois primeiros blocos do programa.

Mas são detalhes que, para quem conhece de perto o ex-juiz federal, certamente serão corrigidos no próximo debate.

Madeira tem conhecimento e uma biografia que nenhum outro candidato têm. E, como se diz na linguagem popular, ele não pretende “perder pra buchudo” na próxima ocasião.

O candidato do Solidariedade poderia ter aproveitado melhor os três primeiros blocos de perguntas e respostas, principalmente porque foram postos em discussão temas triviais da administração pública.

Mas Madeira só foi realmente Madeira no último bloco, nas considerações finais. Ali ele deu, pela primeira vez, o tom da sua campanha.

Ao contrário do que muitos imaginavam, Madeira vem para as eleições 2020 como oposição ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior.

Ou pelo menos como alternativa de mudança ao modelo administrativo hoje instalado em São Luís, que na verdade reencarna um PDT que governa a capital maranhense há mais de 30 anos.

Madeira argumentou que, uma vez eleito prefeito, vai sepultar de vez as velhas práticas políticas, como aquelas que insistem no asfalto a cada ano eleitoral.

Entre os que estão no primeiro pelotão das pesquisas – Braide, Duarte, Neto Evangelista e Rubens Jr. – o ex-juiz federal foi o único que demarcou o território da alternância de poder.

Então, um candidato que assim age na primeira aparição pública da campanha não pode receber a pior nota de um debate que, em linhas gerais, foi literalmente sonolento.

Pelo horário. Pelo formato…

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