Trabalho escravo: uma realidade brasileira

Sete trabalhadores em condições análogas à escravidão foram resgatados no Mato Grosso do Sul no último sábado (28).  Eles trabalhavam com pasto em uma fazenda de criação bovina em Bataguassu, na divisa com o estado de São Paulo, onde eram submetidos a situações desumanas. Os empregados tinham jornadas exaustivas e alojamento precário, o salário era pago por diárias, e não havia registro em carteira de trabalho.

Um dos trabalhadores já estava na fazenda há dois anos. Os outros seis haviam chegado há aproximadamente seis meses. Eles foram localizados a partir de uma denúncia pelo telefone 191 da Polícia Rodoviária Federal.  A operação ocorreu no mesmo dia, em um trabalho conjunto com o Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho.

De acordo com o chefe de Inspeção do Trabalho da Superintendência do Ministério do Trabalho no Mato Grosso do Sul, Kléber Pereira de Araújo e Silva, os trabalhadores dormiam em um barraco de madeira adaptado para alojamento. Não havia energia elétrica, e o banheiro era um espaço reservado com uma latrina e dois chuveiros.  Além disso, a água consumida tinha indícios de contaminação por esgoto, fezes de animais e agrotóxicos.

Os operários eram recrutados sob a promessa de trabalho digno e direitos trabalhistas garantidos. No entanto, ao chegarem na fazenda, se deparavam com uma realidade diferente. Eles recebiam apenas diárias e alimentação básica. Materiais como papel higiênico, sabão e itens alimentícios diferentes dos incluídos nas refeições eram comercializados por um funcionário da fazenda a valores acima dos de mercado. “Não tinha como eles irem até a cidade fazer compras, por exemplo, por causa da distância. A rodovia mais próxima ficava a 12 quilômetros da fazenda. E de lá até a cidade eram mais 60 quilômetros”, explica o chefe de Inspeção do Ministério do Trabalho.

O que mais chamou a atenção de Kléber na fazenda foi o contraste entre esses trabalhadores e os demais que prestavam serviço na propriedade. “A fazenda tinha oito mil cabeças de gado, era bonita e muito organizada. Os trabalhadores registrados ficavam em alojamentos adequados e com tratamento digno, enquanto esses estavam em situação precária”, relata.

Os trabalhadores resgatados foram removidos para um hotel da cidade, enquanto os proprietários da fazenda ajustam as condições do alojamento. Eles estão tendo as carteiras de trabalho assinadas retroativamente e receberão todos os direitos trabalhistas também retroativamente.  O acordo com o fazendeiro é que, assim que tudo estiver regularizado, os operários retornarão ao trabalho.

Conscientização – como 28 de janeiro era o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, as equipes de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho realizaram atividades de conscientização no estado. Foram distribuídas cartilhas para a população explicando o que caracteriza o trabalho escravo e porque ele é ilegal no Brasil.

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