Dados do sistema DivulgaCandContas, do TSE, mostram uma disputa financeira tão desigual quanto a corrida nas urnas promete ser acirrada. Dos oito candidatos ao governo do Maranhão em 2026, sete já têm arrecadação e despesas registradas — e a diferença de fôlego entre eles é gritante.
Braide é, disparado, o candidato com mais dinheiro em caixa: cerca de R$ 7,74 milhões arrecadados, dos quais 96,9% vieram de uma única fonte — o diretório nacional do PSD, que repassou R$ 7,5 milhões à campanha. As despesas já somam R$ 4,15 milhões, com quase metade (43,41%) concentrada em um único lançamento: R$ 1,8 milhão pago à empresa D S Zago Serviços de Audiovisual para produção de programas de rádio, TV e vídeo.
Orleans Brandão (MDB) arrecadou cerca de R$ 3,43 milhões, sendo 87,46% desse valor, ou R$ 3 milhões, provenientes da direção nacional do MDB. Até agora, as despesas já chegam a R$ 4,68 milhões, concentradas principalmente em serviços prestados por terceiros e atividades de militância e mobilização de rua, que somaram R$ 1,2 milhão em um único lançamento.
Já Felipe Camarão (PT) arrecadou aproximadamente R$ 3,52 milhões, dos quais R$ 3,47 milhões, equivalentes a 98,44%, vieram do diretório nacional do PT. O petista gastou R$ 2,70 milhões até o momento, com a maior parte das despesas destinada à produção de conteúdo para rádio e televisão.
O ex-senador Roberto Rocha, que teve o registro de candidatura barrado pelo TRE-MA, disputa o Governo do Maranhão pelo PRTB. A campanha arrecadou R$ 688 mil, sendo 76% desse valor repassado pela direção nacional do partido, e já gastou R$ 583 mil. Do total das despesas, 42,91% foram destinados à produção de programas de rádio e televisão.
Os demais candidatos ao Palácio dos Leões aparecem com uma movimentação financeira bem mais modesta. André Luís, do Missão, arrecadou cerca de R$ 103,8 mil e gastou R$ 63,3 mil. Saulo Arcangeli, do PSTU, recebeu aproximadamente R$ 26,1 mil e desembolsou R$ 25,3 mil. Já a candidatura de menor porte movimentou apenas R$ 5,5 mil em receitas e R$ 5,8 mil em despesas.
Candidaturas de partidos pequenos aparece nos registros do TSE sem repasse de diretório nacional — só doações individuais de baixo valor.
Quase toda a receita das grandes campanhas — Braide, Orleans e Camarão — vem do Fundo Eleitoral repassado pelas direções nacionais dos partidos, não de doações de pessoas físicas ou empresas. E o destino do dinheiro se repete: produção de conteúdo para rádio, TV e vídeo é a maior linha de despesa em quase todas as candidaturas, à frente até de publicidade impressa e impulsionamento digital.



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