Innospace aponta falha em algoritmo após interrupção de voo de foguete em Alcântara

Uma falha no algoritmo responsável pelo controle das aletas do foguete suborbital SEBIT foi identificada pela empresa sul-coreana Innospace como fator relacionado à interrupção antecipada do voo realizado em agosto, no Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão.

O lançamento ocorreu às 16h30 do dia 19 de agosto. Aproximadamente 35 segundos depois da decolagem, o voo foi interrompido. Na ocasião, a causa do encerramento antecipado da operação ainda não havia sido divulgada.

Segundo a Innospace, os dados de telemetria registrados durante o lançamento revelaram diferenças entre o funcionamento esperado pelo projeto e o comportamento efetivamente apresentado pelo sistema durante a fase de baixa velocidade.

O problema está relacionado ao algoritmo utilizado para controlar quatro aletas instaladas na parte inferior do SEBIT. Essas estruturas contribuem para o controle da atitude e da direção do foguete durante o voo.

A partir dos dados coletados na operação, a empresa informou que identificou a necessidade de aperfeiçoar o algoritmo. Além disso, a Innospace pretende revisar procedimentos relacionados ao desenvolvimento e aos testes do sistema. As alterações deverão ser incorporadas ao próximo voo de verificação do foguete.

A empresa também informou que entregou seu relatório interno sobre a análise da causa ao Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), que conduz, em conjunto com a companhia, a investigação sobre a queda do foguete.

A Innospace ressaltou que as conclusões da investigação oficial ainda podem acrescentar novos elementos à análise realizada pela empresa.

SISTEMA DE TÉRMINO DE VOO

Apesar da interrupção antecipada, a Innospace afirmou que o Sistema de Término de Voo (FTS) funcionou de acordo com o previsto. O mecanismo desenvolvido pela empresa não utiliza dispositivos pirotécnicos.

O sistema é responsável por interromper a propulsão do foguete por meio do corte do fornecimento de oxidante após o recebimento de um comando de término de voo. Na sequência, ocorre a separação do veículo, encerrando a operação.

De acordo com a empresa, todo o procedimento foi realizado conforme a sequência planejada durante o voo do SEBIT.

A Innospace também informou que a Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelas operações no local de lançamento, reconheceu a execução segura do procedimento.

PRÓXIMO VOO

Após analisar os dados obtidos durante a primeira operação, a Innospace pretende realizar um novo voo de verificação do SEBIT.

A empresa prevê que o lançamento ocorra em novembro, mas a data ainda será definida em conjunto com as autoridades brasileiras.

A companhia também planeja alterar o cronograma do HANBIT-Nano. A previsão é que o lançamento do foguete seja transferido para o primeiro semestre de 2027.

De acordo com a Innospace, as mudanças no cronograma estão sendo discutidas com a ALADA – Empresa Brasileira de Projetos Aeroespaciais e a Força Aérea Brasileira.

Ainda não há datas definitivas estabelecidas para as próximas operações.


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