Centenas de peixes foram encontrados mortos na semana passada em um igarapé localizado na comunidade Terra do Rumo, na zona rural de São Luís.
Diante da situação, moradores suspeitam que a água esteja sendo contaminada por resíduos químicos.
Além da mortandade de animais, a população relata mau cheiro persistente, problemas de saúde e prejuízos às atividades tradicionais que garantem o sustento de diversas famílias.
Situada na região entre Estiva e Igaraú, a comunidade mantém uma relação histórica com o igarapé, utilizado há gerações para pesca, banho e lazer.
A coleta de frutos nativos, como juçara e buriti, também faz parte da rotina dos moradores e contribui para a renda das famílias.
Segundo relatos da população, os resíduos seriam despejados no curso d’água por meio de uma tubulação que, conforme a suspeita dos moradores, estaria ligada à fábrica da Solar, empresa integrante do sistema Coca-Cola.
Em posicionamento oficial, a Solar afirmou que os resíduos gerados pela unidade industrial passam por tratamento de acordo com as normas técnicas e ambientais.
A empresa informou ainda que, após esse processo, os materiais são encaminhados para uma central situada a aproximadamente 3,5 quilômetros da fábrica.
Para investigar as causas da morte dos peixes, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) realizou a coleta de amostras de água em quatro pontos do igarapé. O objetivo é verificar as condições do local e apurar se há contaminação relacionada ao episódio.
AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO
De acordo com a comunidade, os problemas ambientais na região não são recentes e ocorrem há cerca de duas décadas.
Os moradores, no entanto, afirmam que o cenário piorou nos últimos tempos, especialmente após o aparecimento dos peixes mortos.
A deterioração da qualidade da água levou parte da população a abandonar atividades que antes faziam parte do cotidiano.
O igarapé, que costumava ser frequentado para pesca, banhos e momentos de lazer, deixou de ser utilizado por moradores preocupados com os riscos de contato com a água.
Outro problema apontado é o odor forte e constante, que afeta diretamente a rotina das famílias que vivem nas proximidades.
Alguns moradores afirmam que o cheiro chega a ser tão intenso que dificulta até mesmo a realização das refeições dentro de casa.
Além dos incômodos, há relatos de problemas de saúde que os moradores associam ao mau cheiro e à possível exposição à água contaminada. Até o momento, porém, não há confirmação de que os sintomas tenham sido provocados por alguma substância lançada no igarapé.
COMUNIDADE COBRA ESCLARECIMENTOS
A população quer identificar quais materiais estariam chegando ao curso d’água e esclarecer se existe relação entre os possíveis despejos, a morte dos peixes e os problemas de saúde relatados.
A tubulação apontada pelos moradores como possível fonte da contaminação estaria conectada à unidade da Solar.
Por isso, a comunidade cobra uma investigação sobre a qualidade da água e a composição dos resíduos, além de esclarecimentos sobre a origem do material que pode estar atingindo o igarapé.
Equipes municipais e estaduais de saúde também estiveram na região, assim como agentes da Defesa Civil.
Durante as visitas, os profissionais conversaram com os moradores, reuniram informações sobre os sintomas relatados e realizaram novas análises da água.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente informou que adotará as providências previstas na legislação caso sejam identificadas evidências de irregularidades ou de responsabilidade por danos ambientais.



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