A defesa do ex-secretário de Estado do Maranhão Raimundo Cutrim pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o reconhecimento da suspeição do ministro Flávio Dino na condução de um dos processos que envolvem o ex-secretário. Os advogados alegam conflito de interesse e afirmam que a atuação de Dino estaria marcada por um suposto viés político. O pedido foi apresentado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, após uma solicitação anterior ter sido rejeitada pelo ministro Alexandre de Moraes durante o plantão do STF.
O principal argumento da defesa é a posição de Dino nos diferentes procedimentos. Em um deles, o ministro é relator de uma investigação que levou à prisão de Cutrim. Em outro inquérito, conduzido por Moraes, Dino aparece como suposta vítima de uma investigação que tem o ex-secretário como alvo. Para o advogado José Berilo de Freitas Leite Filho, essa situação representaria um conflito. “Se em um momento ele é vítima, em outro momento ele é o algoz”, afirmou em entrevista ao Metrópoles.
A defesa também sustenta que existe uma antiga animosidade pessoal e política entre Cutrim e Dino e questiona a participação do ministro em processos que envolvem adversários políticos no Maranhão. Segundo Berilo, o contexto eleitoral reforça a preocupação dos advogados com a atuação de Dino. A defesa afirma ainda que Cutrim não praticou os crimes investigados e considera desproporcional a prisão determinada pelo ministro.
O pedido de suspeição busca retirar Dino da relatoria e permitir que outro ministro analise o caso. A defesa pretende apresentar ainda uma nova petição relacionada à prisão de Cutrim, utilizando como argumento justamente o fato de Dino ocupar posições distintas nos procedimentos: responsável por uma decisão que atingiu o ex-secretário e, simultaneamente, apontado como vítima em outra apuração envolvendo o mesmo investigado.



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