As doações de pessoas físicas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) cresceram no segundo turno das eleições presidenciais e chegaram a R$ 20,3 milhões, quase 29 vezes o valor arrecadado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu R$ 709,1 mil em contribuições privadas no mesmo período.
Os dados constam nas prestações de contas parciais apresentadas à Justiça Eleitoral. No total, Flávio registrou R$ 26,8 milhões em recursos recebidos durante o segundo turno, dos quais cerca de 76% vieram de doações de pessoas físicas.
Entre os principais financiadores estão empresários ligados ao agronegócio, à construção civil e à indústria. Apenas o setor agropecuário contribuiu com pelo menos R$ 7,8 milhões para a campanha do candidato do PL.
A maior doação individual foi feita pelo produtor de soja Elói Vitório Marchett, de Mato Grosso, que repassou R$ 2 milhões. Integrantes de famílias empresariais ligadas ao agronegócio também aparecem entre os financiadores, assim como empresários dos setores frigorífico e de máquinas agrícolas.
A construção civil contribuiu com pelo menos R$ 2,4 milhões. Já o empresário Alexandre Grendene, fundador da fabricante de calçados que leva o sobrenome da família, doou R$ 1 milhão à campanha de Flávio.
O apoio do agronegócio também se manifestou institucionalmente. Dois dias após o primeiro turno, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou apoio à candidatura do senador. Entre as reivindicações do setor estão a ampliação do crédito rural, o fortalecimento do seguro agrícola e mudanças na política fundiária.
Campanha de Lula depende de recursos partidários
Na campanha petista, as doações privadas tiveram participação menor. No segundo turno, Lula recebeu R$ 678,9 mil por meio de financiamento coletivo e R$ 30,2 mil em doações diretas.
O principal reforço financeiro veio do próprio PT, que transferiu R$ 20 milhões do Fundo Eleitoral para a campanha no dia 8 de outubro.
Já o PL destinou cerca de R$ 6 milhões à candidatura de Flávio desde 5 de outubro, sendo R$ 4 milhões do Fundo Partidário e R$ 2,46 milhões para despesas com locação de aeronaves.
A legislação eleitoral proíbe doações empresariais diretas a campanhas, mas permite contribuições de pessoas físicas, inclusive empresários, respeitado o limite legal vinculado aos rendimentos brutos declarados no ano anterior à eleição.
O Fundo Eleitoral, criado em 2017 após a proibição das doações empresariais, tornou-se uma das principais fontes de financiamento das campanhas no país. A distribuição dos recursos entre os candidatos é definida pelos próprios partidos, conforme as regras legais.



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