O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (9) que o Mercosul e a União Europeia aproveitem a próxima Cúpula do bloco sul-americano, marcada para dezembro, para finalmente firmar um acordo comercial “baseado em regras” e “em resposta ao unilateralismo”.
“Na próxima Cúpula do Mercosul, em dezembro, espero que os dois blocos possam finalmente dizer sim para o comércio internacional baseado em regras como resposta ao unilateralismo”, afirmou o presidente, durante discurso na 4ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e União Europeia, realizada em Santa Marta, na Colômbia.
Segundo Lula, o acordo representaria a formação de um mercado de 718 milhões de pessoas, com um Produto Interno Bruto (PIB) de 22 trilhões de dólares.
CRÍTICAS A INTERVENÇÕES MILITARES
Sem citar diretamente os Estados Unidos, o presidente criticou o que chamou de “velhas manobras retóricas” usadas para justificar intervenções militares ilegais em países da América Latina e do Caribe.
“A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, disse Lula.
As declarações ocorrem em meio à escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, após ataques militares norte-americanos a embarcações no Caribe.
Washington afirma que as ações fazem parte do combate ao narcotráfico e já deslocou tropas para a região.
O ex-presidente Donald Trump chegou a declarar que o regime de Nicolás Maduro está “com os dias contados” e não descartou uma ofensiva terrestre.
Por outro lado, o governo venezuelano acusa os Estados Unidos de tentar desestabilizar o país, com suposta atuação da CIA, e de “fabricar uma nova guerra”.
“A AMÉRICA LATINA É UMA ZONA DE PAZ”, DIZ LULA
Em entrevista a agências internacionais nesta semana, Lula lembrou que o tema das intervenções já havia sido discutido com o ex-presidente Donald Trump, ainda durante seu mandato anterior.
“Tive a oportunidade de conversar com Trump sobre esse assunto, dizendo que a América Latina é uma zona de paz. Aqui não proliferaram armas nucleares. No caso do Brasil, é constitucional, e eu tenho orgulho de ter votado para que não houvesse proliferação de armas atômicas e nucleares no país”, afirmou.
COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
Durante o discurso, Lula defendeu uma integração regional mais forte no enfrentamento às organizações criminosas. Ele destacou a necessidade de ações coordenadas, trocas de informações e operações conjuntas entre os países.
“Nenhum país pode enfrentar esse desafio isoladamente. Ações coordenadas, intercâmbio de informações e operações conjuntas são fundamentais para que a gente consiga vencer”, destacou o presidente.
Lula voltou a enfatizar que o combate ao crime organizado deve focar no aspecto financeiro das organizações, com medidas para rastrear e bloquear recursos ilícitos.
“É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas. O alcance transnacional do crime coloca à prova nossa capacidade de cooperação”, declarou.
“EXTREMISMO E INTOLERÂNCIA AMEAÇAM DEMOCRACIAS”
Sem mencionar nenhum país específico, Lula alertou para o crescimento da intolerância política e do extremismo, fenômenos que, segundo ele, têm impedido o diálogo entre diferentes setores.
“Voltamos a conviver com as ameaças do extremismo político, da manipulação da informação e do crime organizado. Projetos pessoais de apego ao poder solapam a democracia. Estamos deixando de cultivar nossa vocação de cooperação e permitindo que conflitos e disputas ideológicas se imponham”, afirmou.
COP 30 E O PAPEL DA AMÉRICA LATINA
Ao abordar a realização da COP 30, que ocorrerá em Belém (PA) em 2025, Lula destacou que o evento será uma oportunidade para a América Latina e o Caribe demonstrarem ao mundo a importância da preservação ambiental e da transição energética.
“A COP 30 será uma oportunidade para a América Latina e o Caribe mostrarem ao mundo que conservar as florestas é cuidar do futuro do planeta. A transição energética é inevitável. Nossa região é fonte segura e confiável de energia limpa e pode acelerar a redução da dependência dos combustíveis fósseis”, afirmou.


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