A divulgação da relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro voltou a colocar no centro das discussões no Congresso a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco do Master, defendida tanto por opositores, quanto por governistas.
Em áudio, o senador chama Vorcaro de “irmão” ao cobrar repasses de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo O Globo, em 2025, o Banco Master transferiu R$ 2,329 milhões diretamente à Entre Investimentos — empresa que teria sido utilizada para repasses de dinheiro entre Vorcaro e a produção do filme —, com base em informações obtidas a partir das declarações de Imposto de Renda do banco.
Após a publicação dos áudios, o senador admitiu a negociação, negou qualquer ilegalidade no financiamento do filme e aproveitou para cobrar a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as suspeitas envolvendo Vorcaro.
“Mais do que nunca, é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, disse.
Pressão
O caso gerou debate na sessão do plenário desta quarta-feira (13) na Câmara dos Deputados.
Deputados de diferentes partidos voltaram a defender a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para analisar a atuação do Banco Master e as relações de Vorcaro com pessoas públicas. O próprio senador Flávio Bolsonaro defendeu a instalação da CPI.
Líderes e outros deputados, principalmente da base do governo, criticaram a ação de Flávio Bolsonaro, enquanto o líder da oposição defendeu o senador. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio confirmou o pedido de ajuda financeira a Vorcaro, mas negou irregularidades.
Vorcaro está preso e é investigado por fraudes financeiras bilionárias. Segundo a imprensa, pelo menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos a pedido de Flávio entre fevereiro e maio de 2025. O senador teria solicitado e cobrado os repasses diretamente a Vorcaro, como revelam mensagens e áudio de setembro de 2025.
O líder da maioria, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), lembrou que o áudio de Flávio Bolsonaro foi enviado dois dias antes da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal. “O que um homem decente, um pré-candidato à República faria? Deveria ter devolvido e feito ali um movimento devolvendo o dinheiro, dizendo: ‘Eu não sabia; portanto, eu não aceito’. Jamais. Jamais. Pegou o dinheiro”, criticou Chinaglia.



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