O Blog do Minard recebeu uma grave denúncia sobre um esquema de nepotismo e fraude envolvendo professores e servidores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Alunos dos cursos de Direito e Economia formalizaram a queixa junto ao Ministério Público Federal e registraram o caso no Sistema Eletrônico de Informações da UFMA, expondo uma rede de desvios de recursos e a distribuição irregular de bolsas de extensão, com benefícios direcionados a familiares e aliados.
No centro das acusações está o professor Heric Santos Hossoé, chefe do Departamento de Economia da UFMA, que, mesmo com dedicação exclusiva ao ensino, acumulou em 2024 a impressionante quantia de R$ 366.377,40 entre salário e bolsas de extensão. Isso representa um rendimento médio mensal de R$ 30.531,45, gerando sérias dúvidas sobre a compatibilidade de suas funções e a legalidade dessa acumulação. Segundo o Portal da Transparência, Heric recebeu R$ 186.377,40 em salários durante o ano. No entanto, o valor mais surpreendente provém das bolsas de extensão, que somaram R$ 180.000,00, resultando em um acréscimo mensal de R$ 15.000,00.

A denúncia também aponta que Heric Hossoé incluiu sua mãe, Cassandra Maria Pereira Hossoé, como bolsista em um projeto de extensão, garantindo-lhe um pagamento de R$ 6.000,00 mensais, totalizando R$ 72.000,00 em 2024, sem qualquer justificativa acadêmica para tal favorecimento.

No mesmo esquema, o professor Jadson Pessoa, também do Departamento de Economia, teria beneficiado sua esposa, também servidora da UFMA, com uma bolsa em um dos projetos, configurando mais um caso de nepotismo.
As irregularidades não param por aí. A professora Talita Carvalho, responsável pela fiscalização dos pagamentos, também foi mencionada no esquema. Segundo o Portal da Transparência, ela estava em licença-maternidade, mas continuou recebendo bolsas e diárias da Fundação Josué Montello, o que é expressamente proibido pela legislação. Veja:

Outro ponto da denúncia indica que o professor César Labre teria solicitado à reitoria a inclusão de bolsistas sem critérios técnicos, favorecendo pessoas ligadas ao grupo, o que reforça ainda mais as suspeitas de fraude e favoritismo.
Embora o reitor Fernando de Carvalho tenha tido ciência das denúncias, até o momento, nenhuma medida foi tomada para apurar as irregularidades ou afastar os envolvidos. A falta de ação da reitoria, mesmo diante de evidências claras, tem gerado indignação entre os estudantes, que questionam a postura da gestão frente a um caso tão grave.
Diante do escândalo, os alunos exigem o afastamento imediato dos professores e servidores envolvidos, a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar, além de uma investigação criminal conduzida pelo Ministério Público Federal, pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União. Também foi solicitada a quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos, para rastrear movimentações financeiras suspeitas.
A UFMA ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. O Ministério Público Federal deverá iniciar uma investigação para apurar os fatos. Caso as acusações se confirmem, os envolvidos poderão enfrentar processos administrativos e judiciais.
Confira as portarias dos projetos que listam os nomes dos professores, servidores e familiares mencionados:
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